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sexológica

 

Tesão


    Os ovários das mulheres contêm centenas de milhares de folículos capazes de produzir e beneficiar óvulos, porém menos de quinhentos chegam à maturidade. Como os óvulos são preparados um a um e a cada ciclo de aproximadamente vinte e oito dias, e o período fértil de uma mulher é de mais ou menos trinta anos, multiplique esse número pelas treze ovulações anuais prováveis e terá a quantidade de folículos utilizados por esta nossa mulher virtual que nunca se engravidou, aliás.

 

    Pois, se tivesse gerado filhos, teríamos que subtrair do montante nove folículos por cada gravidez, considerando que a mãe tenha voltado a menstruar dois ciclos depois do parto. Há casos em que a mulher só retorna às regras três ou quatro ciclos após o parto ou até só depois de encerrar a amamentação.

 

    Os folículos encontrados nas paredes dos ovários, então, são os responsáveis pela qualidade do óvulo. No momento em que não há mais nada que o folículo possa fazer, ele se rompe, expulsa um hormônio, a foliculina, a qual se junta ao sangue, e libera o óvulo, que segue para uma das tubas uterinas.

 

    Esse é o sinal. Quando o folículo se rompe, inicia-se uma nova jornada pela reprodução. A foliculina, que é liberada com o óvulo, é a mensageira, a fofoqueira que vai espalhar por todo o corpo, por meio da circulação sanguínea, a notícia de que a mulher está novamente em período fértil.

 

    Como a foliculina dá a notícia? É simples. Ela aumenta o índice de calor do sangue e, consequentemente, do corpo, tornando-o significativamente mais contrátil, isto é, com os movimentos orgânicos de fora para dentro ainda mais fortes que os de dentro para fora.

 

    Com a aceleração dos movimentos de contração, as células e os tecidos querem trazer algo consigo. Têm mais sede, mais fome, principalmente daqueles gases fisiológicos resultantes do encontro dos líquidos orgásmicos na vagina. Aliás, aqueles gases são a matéria-prima para a produção dos hormônios responsáveis pela manutenção e pelo desenvolvimento das propriedades físicas e intelectuais dos seres humanos.

 

    O hormônio foliculina age como se fosse um negativo ou um aspirador dos gases fisiológicos produzidos no ato sexual. Ele se espalha pelo sangue, aumenta a velocidade da circulação e a temperatura, e tende a se acumular nas imediações da vagina. Nesse momento, a mulher se sente como se fosse uma célula do sangue tomada de foliculina, ansiosa pelos gases fisiológicos, aspirando incessantemente com a expectativa de se alimentar.

 

    Isso é o que chamamos de tesão. Quando a mulher está ávida de um pênis ereto e recheado de espermatozoides dentro de sua vagina, justamente para satisfazer as suas necessidades orgânicas, ela está sentindo tesão. Mais precisamente, o tesão feminino é o conjunto das ansiedades de cada uma das células tomadas pela foliculina.

 

    Considerando a sensação de fome sexual provocada pelo hormônio dos folículos, muitas mulheres dizem que são elas que comem os homens, contrariando as convicções machistas, quando, em verdade, nenhum dos parceiros explora unilateralmente o outro numa relação sexual consentida. Eles se alimentam, os dois, dos gases fisiológicos provenientes dos líquidos orgásmicos. A parceria é um sucesso, naturalmente, porque cada qual comparece com os seus ingredientes a fim de produzir o que interessa a ambos.

 

    O homem comparece com seus espermatozoides; a mulher, com seus líquidos orgásmicos – ácidos – para destruir os espermatozoides e produzir o gás cromossômico; homem e mulher absorvem esse gás por meio de seus poros penianos e vaginais e, assim, proporcionam a si mesmos uma reconfiguração fisiológica capaz de acrescentar saúde e longevidade.

 

    A contratilidade é um fenômeno que pode ser notado também na sede e na fome. Ou em qualquer circunstância em que se manifeste a necessidade orgânica de absorção de alguma substância. Os vícios, a propósito, caracterizam-se pela contratilidade. A pessoa sofre de alguma ansiedade, encontra-se naturalmente ávida por satisfação, porém, em vez de oferecer a resposta adequada ao seu sofrimento, fuma ou bebe ou joga.

 

    A nicotina e companhia, então, oferecem-se ao corpo a fim de aliviar a contratilidade causada pela ansiedade. Na falta da resposta adequada, o corpo se ajeita com o que tem e pronto, está caracterizado o vício. Na próxima crise de ansiedade, o cigarro será a primeira opção para o arrefecimento do desassossego.

 

    Os vícios, no entanto, não podem ser definidos como consequências de respostas inadequadas às ansiedades. Há casos de pessoas que se tornam alpinistas porque não conseguem se relacionar satisfatoriamente com seus irmãos e amigos.

 

    Nesse caso, porque o esporte é, em regra e em tese, benéfico à saúde, não o consideramos um vício, mesmo sendo uma resposta inadequada a uma determinada ansiedade. Ao contrário, está entre as virtudes. Assim, podemos redefinir os vícios como consequências de respostas inadequadas às ansiedades e prejudiciais à saúde.

 

 

    O tesão, que é um tipo de ansiedade, pode nos levar ao vício?

 

    O desejo sexual não é um tipo de ansiedade, é apenas uma vontade. A ansiedade é o sentimento provocado pelo condicionamento físico ou intelectual inoportuno para a satisfação de um desejo que ainda não está na hora de se realizar. A excitação fora de hora, sim, pode ser um tipo de ansiedade, quando o rapaz fica com o pênis ereto ou a moça lubrifica a vagina sem a circunstância da cópula.

 

    Em situações semelhantes, a masturbação, por exemplo, pode se tornar um vício, se for praticada sistematicamente. A frequência fará com que seja considerada a melhor resposta disponível ao desejo sexual e não mais uma iniciação ou um alívio provisório.

 

    Um menino, por exemplo, transou para provar a si mesmo que não era um homossexual. Nesse caso, a ansiedade provinha da necessidade de se convencer de sua masculinidade. Como não encontrava argumentos para tanto, pagou a uma prostituta e resolveu o seu problema. Contudo, se a neurose do rapaz não fosse das menores, poderia passar a transar compulsivamente para evitar a dúvida.

 

    O tesão masculino, por sua vez, inicia-se com a produção dos espermatozoides. Depois da puberdade, os gametas masculinos começam a se acumular no epidídimo, uma espécie de armazém do testículo, e precisam sair de alguma maneira. O corpo é avisado dessa necessidade pelo excesso da testosterona, o hormônio sexual masculino, que é liberada na transformação das espermátides em espermatozoides.

 

    Durante a espermatogênese, grande parte do citoplasma da espermátide é abandonada para se juntar ao hormônio de caracterização do gameta masculino e alcançar as células vermelhas do sangue a fim de fomentá-las em sua distratilidade. Enquanto os ovários produzem os óvulos e liberam a foliculina, provocando o desejo sexual da mulher; os testículos produzem os espermatozoides e liberam a testosterona para incitar o desejo sexual masculino.

 

    É interessante notar que o homem não possui um hormônio especial para atiçar o seu desejo sexual. Enquanto a mulher tem a foliculina como a mensageira de sua ovulação, não é propriamente a testosterona que instiga o desejo masculino, mas, sim, o excesso de testosterona.

 

    Os espermatozoides são produzidos continuamente e, proporcional a essa produção, é a liberação do hormônio sexual masculino. Não teria sentido, então, se houvesse um período de maior desejo por conta da emissão de testosterona. O tesão dos homens é aguçado pelo excesso de espermatozoides condicionados e de hormônios sexuais no sangue.

 

    Essa constatação nos permite dizer que os machos não têm cio como as fêmeas. Se as mulheres estão predispostas a uma boa transa nos dias que se seguem à liberação do óvulo e da foliculina; os homens, a princípio, estão prontos para transar em qualquer dia do mês ou do ano.

 

    O que não chega a ser uma vantagem, já que os homens, assim, dependem da vontade das mulheres para uma boa transa. A ansiedade, também, é maior neles do que nelas, pois é mais fácil a moça estar com um tesão irreprimível e encontrar o seu rapaz doido para um orgasmo, do que o rapaz se achar com os testículos estourando de espermatozoides e encontrar a sua moça subindo pelas paredes de tanto desejo.

 

    No caso dos animais, os machos respeitam os períodos entre os cios porque:

 

    1 – As fêmeas rejeitam os machos fora dos cios; elas não permitem o coito, sentem-se agredidas. Os animais não compreendem que o macho quer copular; concluem que estão sendo importunadas violentamente e podem até matá-los, em caso de insistência.

 

    2 – Os machos aprenderam a perceber o cio nas cores do pelo ou das penas, no cheiro ou no canto das aves. Isso quer dizer que, nos animais, os estrogênios, os responsáveis pelas alterações físicas e comportamentais do cio, avisam tanto as fêmeas quanto os machos que o momento é propício ao acasalamento.

 

    Definindo, o tesão é a sensação de distratilidade causada pelo excesso de testosterona, no caso dos homens, ou a manifestação da contratilidade provocada pela liberação da foliculina no sangue das mulheres.

 

    Não usei a palavra libido como sinônimo de tesão porque não é adequada aos fenômenos descritos acima. A libido vale tanto para o desejo sexual masculino quanto para o feminino, porém, não significa a sua manifestação e muito menos a exacerbação desse desejo.

 

    A palavra libido serve apenas para designar a existência da determinação sexual na natureza humana. A vontade de transar que aparece por conta de um estímulo eventual, como a cena de um filme, é uma consequência da provocação da libido. Enquanto a vontade de penetrar ou de ser penetrada que se manifesta sem qualquer estímulo casual é uma exacerbação da libido, é o tesão.

 

 

    Por que um homem se interessa por muitas mulheres?

 

    Uma mulher se interessa por homens que oferecem ou parecem oferecer mais vigor que o seu parceiro. Também um homem se interessa por mulheres que oferecem ou parecem oferecer mais disposição que a sua parceira. Se um homem tivesse como parceira a mulher mais vigorosa do mundo, jamais se interessaria por outra fêmea. A atividade sexual produz energia para os corpos dos parceiros e a quantidade de energia depende do vigor de quem está transando.

 

    Quando um homem e uma mulher conseguem atingir um orgasmo acima da média na mesma cópula, também conseguem absorver uma quantidade de energia incomum. Por isto, os homens e as mulheres desejam as pessoas que oferecem ou parecem oferecer mais vigor que os seus parceiros. Porque essas pessoas desejadas oferecem a perspectiva de quantidades de energia maiores.


 

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